segunda-feira, 09 de fevereiro de 2009

Boicote a Israel - não comprar produtos com código de barra iniciado por 729 - Paris

http://www.petitiononline.com/plo2002/petition.html


Iniciado em universidades ganha outros setores...


PARIS - Iniciado há pouco nos meios universitários europeus e americanos, muitas vezes sob a iniciativa de acadêmicos judeus, o boicote a Israel, por causa de sua política em relação à Autoridade Palestina, começa a estender-se oficiosa e fragmentariamente aos setores comercial, industrial e artístico, causando preocupações aos dirigentes israelenses.

Sem dúvida, nenhum país ocidental se declarou favorável a tal gênero de punição contra Israel. Apenas o Parlamento Europeu preconizou em abril sanções econômicas contra Israel, mas teve sua proposta rejeitada pela Comissão Executiva da União Européia. Ainda no plano institucional, não foi diferente o resultado alcançado pela Liga Árabe, lançando em maio uma campanha mundial para o isolamento econômico, comercial, universitário, cultural e artístico de Israel.

Entretanto, as exportações israelenses para a União Européia caíram cerca de 20% no primeiro trimestre. No mesmo período, as missões de diferentes países para compra de armas em Israel se tornaram cada vez mais raras, enquanto a Alemanha decidiu retardar o fornecimento de motores e caixas de câmbio para os tanques e carros de combate Merkava, do Exército israelense.

Por sua vez, em Jerusalém, até importadores de eletrodomésticos se declaram perplexos ante a atitude de seus fornecedores europeus, que se negam agora a vender-lhes peças de reposição para geladeiras ou máquinas de lavar, sob o pretexto de que estas poderão servir na fabricação de mísseis. Dentro desse mesmo espírito, industriais holandeses e gregos suspenderam a venda de detergentes de cozinha a Israel, alegando que tais produtos são "potencialmente armas químicas".

Aderindo ao movimento, estivadores noruegueses impediram recentemente a entrada no porto de Oslo de um cargueiro transportando mercadorias israelenses. Pouco depois, alguns dos principais sindicatos da Escócia, Dinamarca e Noruega conclamaram o público europeu a não comprar nos supermercados os "made in Israel", notadamente aqueles das grandes marcas (a relação nominal está sendo divulgada pela Internet), nos setores de frutas, sucos e legumes, embalagens alimentícias, roupas, lingeries, equipamentos esportivos, etc.

Um dos "cérebros" da campanha, a intelectual judia Olicia Zemor, explicou em Paris que o boicote se tornará mais abrangente e eficaz quando os consumidores memorizarem o código de identificação internacional dos produtos israelenses, ou seja 0729.

"Os europeus em particular precisam saber que muitos dos produtos israelenses, beneficiando-se de tarifas preferenciais da União Européia, são fabricados nos territórios palestinos ilegalmente ocupados pelos colonos judeus, incluindo áreas 'anexadas' há pouco - e nisso é utilizada a água que Israel usurpa também, para não dizer rouba, dos palestinos", ponderou.

No domínio universitário, o apelo ao boicote é respaldado por 120 professores de universidades européias e americanas (vários são de origem judaica) que defendem a suspensão do intercâmbio com suas homólogas israelenses, especialmente na área das pesquisas científicas.
Contra tal posição elevaram-se, contudo, cerca de mil acadêmicos da Europa e dos EUA. Em manifesto, eles afirmaram que o boicote à cooperação cultural "viola o espírito essencial da liberdade e a busca da verdade".

Ao formalizar, com outras personalidades judias, seu apoio ao movimento pró-boicote (que se dotou de um "coletivo" de mobilização em Paris) o escritor Maurice Rajsfus, de 74 anos, afirmou: "Há muitos cidadãos judeus como eu que não vivem no passado, com essa vontade de transferir o ódio para os outros, de fazer os palestinos pagarem pelos crimes nazistas. O melhor modo de não se esquecer o Holocausto consiste em evitar que outros homens, mulheres e crianças sejam reprimidos, sob indiferença geral."

As incidências dessa arregimentação se fazem sentir igualmente nos âmbitos esportivo e artístico. Temporadas na Europa de companhias de dança e música israelense foram canceladas, enquanto suas congêneres européias renunciavam a participar do Festival de Israel.


Tags: Boicote a Israel

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